Em uma perspectiva global, poderíamos afirmar que a necessidade da manifestação dos profetas de Deus nos dias de hoje é a mesma de antigamente. A Bíblia diz que “a ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus, na esperança de que a própria criação seja redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” (Rm 8.19 e 21)
Muitos foram os contextos das revoluções espirituais que marcaram o mundo com seus ideais de liberdade, propagação da palavra e renovação espiritual. Os palcos dessas revoluções são marcados pela perseguição, violência e arrogância dos governantes que agiam na força dos seus próprios braços. Podemos citar, como exemplo, o período das Cruzadas, que tinham como objetivo impor o cristianismo da Terra Santa (Palestina). Sem falar nos famosos e inacreditáveis fatos da Reforma Protestante.
A luta contra a idolatria, a desobediência, a murmuração, o domínio e a incredulidade são alguns dos principais motivos para o despertamento de profetas e líderes espirituais. Analisando os livros de Daniel e Juízes, podemos ver claramente esta necessidade.
Nos primeiros capítulos do livro de Daniel, vemos as experiências de jovens israelitas, que faziam parte do cativeiro judaico na Babilônia, no século VI a.C, quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, sitiou Jerusalém. O fato de terem recusado a deixarem-se seduzir pelo mundo pagão em que viviam faz parte da essência da história.
As artimanhas sincréticas da época eram tantas, que até mesmo os nomes continham a tentativa de integrar os cativos à religião pagã. Daniel, que quer dizer “Deus é meu juiz”, foi alterado para Beltessazar, “Príncipe de Bel” – Bel era equivalente a Baal e Marduque. Misael quer dizer “Quem é como Deus” e Mesaque é a alteração desse nome para “Quem é como Aku” (Deus da lua). Hananias, “Jeová é misericordioso”, altera-se para Sadraque, o “Amigo do rei”, e Azarias, “Jeová é meu socorro”, para Abede-Nego ou “Servo de Nego” (o ídolo que representa Mercúrio).
Percebe-se claramente que o sincretismo começou bem cedo e, infelizmente, com o passar do tempo, as práticas pagãs foram encontrando espaço na concepção do catolicismo romano no início do século IV d.C. Um dos grandes exemplos desse sincretismo é a “Padroeira”. Podemos identificá-la com a Virgem de Guadalupe, divindade dos índios mexicanos. O fenômeno religioso e cultural é praticamente o mesmo.
Voltando ao livro de Daniel, os grandes temas abordados são assuntos de vital importância para a Igreja atual: a apostasia do povo de Deus; o reconhecimento pelo homem do pecado; a tribulação, a Segunda Vinda, o Milênio e o Dia do Juízo.
Esses temas nos parecem bem atuais. Atualíssimos! Que tal falarmos da apostasia? No original, esse termo quer dizer desvio, abandono. A apostasia é um perigo contínuo para a Igreja, e o Novo Testamento contém repetidas advertências contra a mesma (cf 1 Tm 4.1-3; 2 Ts 2.3; 2 Pe 3.17). Sua natureza é clara: é o descair “da fé” (1 Tm 4.1), e desviar-se “do Deus vivo” (Hb 3.12). Aumenta em períodos de crise especial (Mt 24.9-10; Lc 8.13) e é encorajada pelos falsos mestres (Mt 24.11; Gl 2.4), que seduzem os crentes da pureza da palavra com “outro evangelho” (Gl 1.6-8; 2 Tm 4.3-4; 2 Pe 2.1-2; Jd 3-4). A impossibilidade de restauração após a apostasia é frisada (Hb 6.3-6; 10.26).
Facilmente identificamos momentos de apostasia no período dos Juízes. Gerações e gerações tornavam a pecar e fazer o que era mau perante o Senhor (Jz 3.7; 3.12; 4.1). A geração extinta durante a travessia do deserto, por falta de confiança em Deus, é seguida por outra que deixara de cumprir a Sua palavra, e outras mais que se seguem uma após outra. Deuses como Baal (deus do trovão) e Astarote (deusa da fertilidade), ambos deuses cananeus, eram reverenciados e adorados pelo povo.
Podemos identificar a mistura do santo com o profano e observar a introdução dissimulada do engano, transformando a graça de Deus em libertinagem. (Jd 4)